China x Europa: 12 diferenças ao viajar de trem

Viajar de trem é uma das melhores formas de conhecer tanto a China quanto a Europa, mas quem já experimentou os dois sistemas percebe rapidamente que a experiência é bastante diferente. Depois de viajar bastante de trem pelos dois destinos, algumas diferenças chamaram muito a minha atenção. Não se trata necessariamente de dizer qual sistema é melhor, mas de entender que cada um funciona de uma maneira e que até o processo de chegar à estação e embarcar pode mudar completamente.
1. Entrar na estação na China lembra entrar em um aeroporto
Na maior parte da Europa, você chega à estação, procura a plataforma no painel e segue até o trem. Na China, o processo costuma ser muito mais controlado. Para entrar nas grandes estações ferroviárias, o passageiro passa por verificação de documento e controle de segurança, com malas e mochilas passando pelo raio-X. Por isso, principalmente em estações enormes, é recomendável chegar com uma antecedência maior do que aquela que normalmente usaríamos para pegar um trem europeu.
2. O passaporte praticamente funciona como passagem
Outra diferença importante está no próprio bilhete. Na Europa estamos acostumados a apresentar o QR Code da passagem no celular ou um bilhete físico. Na China, a compra fica vinculada ao documento utilizado na reserva e, para o turista estrangeiro, o passaporte acaba desempenhando um papel fundamental durante todo o processo de embarque. Em muitos casos, é ele que será utilizado para verificar a viagem e liberar o acesso do passageiro.
3. Na China você espera pelo trem em um salão
Essa talvez seja uma das diferenças mais fáceis de perceber. Na Europa, normalmente descobrimos a plataforma e vamos até ela esperar o trem chegar. Nas grandes estações chinesas, a lógica lembra novamente um aeroporto: existem enormes salas de espera e cada trem possui um portão de embarque. O passageiro permanece nessa área até o acesso à plataforma ser liberado, geralmente pouco antes da saída.
4. As grandes estações chinesas parecem aeroportos
Algumas estações de trem da China impressionam pelo tamanho. São terminais gigantescos, com dezenas de portões, restaurantes, lojas e grandes painéis eletrônicos. É uma estrutura pensada para movimentar um número enorme de passageiros. A Europa também possui estações ferroviárias enormes e históricas, mas, de maneira geral, a circulação é mais aberta e a sensação é muito mais de uma estação tradicional do que de um terminal aéreo.
5. O embarque é mais controlado
Na Europa, normalmente basta acompanhar o painel, descobrir a plataforma e entrar no trem quando ele chega. Na China existe um momento específico em que o embarque é aberto. Os passageiros formam filas nos portões correspondentes ao seu trem e só então seguem para a plataforma. É um sistema bastante organizado e que ajuda a controlar o fluxo enorme de pessoas que utiliza a rede ferroviária.
6. O acesso às plataformas também é diferente
Em muitas estações europeias, mesmo alguém que não esteja viajando pode entrar na estação e caminhar por determinadas plataformas. Na China, o controle tende a começar muito antes. Sem uma passagem válida e o documento correspondente, normalmente o passageiro sequer chega à área de embarque dos trens de alta velocidade.
7. O serviço de alimentação é completamente diferente
Essa foi uma das diferenças que mais me chamou a atenção. Em vários trens europeus de longa distância encontramos vagão-restaurante ou cafeteria, e alguns possuem inclusive mesas e lugares onde o passageiro pode se sentar para comer. Nos trens que utilizei na China, a dinâmica foi diferente. Em vez de você precisar procurar um restaurante dentro do trem, a funcionária responsável pelo serviço de alimentação circula pelos vagões quase como uma comissária de bordo, levando um carrinho e oferecendo bebidas, lanches e refeições aos passageiros. Você compra e recebe tudo praticamente no seu próprio assento.
8. A dimensão da rede de alta velocidade chinesa impressiona
Na China, o trem de alta velocidade ocupa um papel que, em muitos outros países, seria desempenhado quase exclusivamente pelo avião. É possível percorrer enormes distâncias entre grandes cidades utilizando trens extremamente rápidos. Na Europa também existem excelentes serviços de alta velocidade, como os encontrados na França, Espanha, Itália e outros países, mas a China possui uma rede gigantesca funcionando dentro de um único país.
9. Na China existe uma sensação maior de padronização
Viajar de trem por diferentes cidades chinesas significa encontrar uma lógica de funcionamento relativamente parecida: entrada na estação, controle de segurança, salão de espera, portão de embarque e acesso à plataforma. Na Europa, cada país e companhia pode funcionar de maneira diferente. Você pode viajar com Deutsche Bahn na Alemanha, SNCF na França, Trenitalia ou Italo na Itália, Renfe na Espanha, ÖBB na Áustria e muitas outras empresas, cada uma com seus aplicativos, regras e sistemas de bilhetes.
10. A bagagem passa pelo raio-X
Esse é outro ponto que causa surpresa para quem está acostumado apenas com os trens europeus. Na China, malas e mochilas passam pelo raio-X antes de o passageiro entrar na área da estação. Na maior parte das viagens ferroviárias convencionais pela Europa não existe esse procedimento. Uma das exceções mais conhecidas é o Eurostar, que possui controles de segurança específicos antes do embarque.
11. A operação dos trens chineses chama atenção pela organização
Durante minhas viagens pela China, uma das coisas que mais percebi foi a organização do processo inteiro: o horário em que o embarque é aberto, a formação das filas, o acesso às plataformas e a saída do trem. Na Europa, a experiência varia muito conforme o país, a companhia e a rota. Existem sistemas extremamente eficientes, enquanto em determinadas redes atrasos e alterações de plataforma podem fazer parte da rotina do passageiro.
12. Você praticamente sabe onde o seu vagão vai parar
Outra facilidade que encontrei nas plataformas chinesas é a organização da posição dos vagões. O passageiro consegue identificar antecipadamente a área correspondente ao seu carro e esperar naquele ponto da plataforma. Quando o trem chega, você já está praticamente diante da porta certa. Em várias redes europeias também existem indicações semelhantes, mas o sistema não é tão uniforme entre os diferentes países e companhias.
No final, viajar de trem continua sendo uma das experiências que mais gosto tanto na China quanto na Europa, mas são dois mundos bastante diferentes. A Europa tem a facilidade de atravessar países e chegar diretamente ao centro de várias cidades, enquanto a China impressiona pela escala, velocidade e organização de sua gigantesca rede ferroviária. Para quem vai viajar pela primeira vez de trem na China, entender essas diferenças antes de chegar pode deixar a experiência muito mais simples, principalmente porque, apesar de ser trem, em vários momentos o processo lembra muito mais pegar um avião do que entrar em uma estação ferroviária europeia.
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Source: Turismo
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