Dubrovnik, na Croácia: A cidade que está conquistando brasileiros

Cheguei a Dubrovnik há quatro dias e posso dizer que foi uma das grandes surpresas desta viagem pela Europa. A cidade croata já estava há algum tempo na minha lista, mas uma coisa é acompanhar fotografias e vídeos; outra é chegar e encontrar pessoalmente aquele cenário formado pelo azul intenso do Mar Adriático, montanhas, muralhas centenárias e construções de pedra com telhados avermelhados. Dubrovnik é conhecida mundialmente como a “Pérola do Adriático”, e não é difícil entender o motivo. Seu centro histórico, cercado por muralhas, é Patrimônio Mundial da UNESCO e concentra boa parte das principais atrações da cidade.
Mas teve outra coisa que me chamou a atenção logo nas primeiras horas: a quantidade de brasileiros. Eu imaginava encontrar turistas do Brasil, claro, mas não nessa proporção. Logo que cheguei comecei a ouvir português pelas ruas e, durante os dias seguintes, encontrei brasileiros diversas vezes. Em determinado momento, inclusive, um grupo de amigos brasileiros passou por mim mais de uma vez enquanto eu caminhava pela cidade. Foi uma percepção muito clara durante a minha passagem: Dubrovnik parece estar entrando definitivamente na mira do turista brasileiro.
Depois de quatro dias percorrendo a cidade, estas são algumas informações que considero importantes para quem também está pensando em colocar Dubrovnik no roteiro pela Europa.
O que fazer em Dubrovnik?
O grande cartão-postal é a Cidade Antiga, a chamada Old Town. É ali que estão a famosa Stradun, principal via do centro histórico, a Fonte de Onofrio, a Igreja de São Brás, o Palácio Sponza, o Palácio do Reitor e vários outros edifícios históricos. Mas uma das experiências mais marcantes é caminhar pelas muralhas que cercam a cidade antiga. Vistas de cima, elas revelam de um lado os telhados avermelhados e, do outro, o azul do Adriático. Dubrovnik também ficou ainda mais conhecida internacionalmente depois de servir como cenário para produções como “Game of Thrones”, além de “Star Wars” e “Robin Hood”.
Outro passeio que vale entrar no roteiro é subir até o Monte Srđ, de onde se tem uma das vistas panorâmicas mais bonitas de Dubrovnik, especialmente no fim do dia. Para quem tiver mais tempo, a Ilha de Lokrum fica bem em frente à cidade e também pode ser visitada em um passeio de poucas horas. A região oferece ainda outras ilhas, praias, pequenas cidades e possibilidades de passeios de barco, fazendo com que Dubrovnik funcione muito bem como base para explorar essa parte do litoral croata.
E as praias?
Talvez esse tenha sido um dos pontos que mais me surpreenderam. Dubrovnik não é apenas um destino histórico: é também um excelente destino de praia. Estive aqui no início de setembro e encontrei dias quentes e um mar com temperatura extremamente agradável. As praias da região são, em sua maioria, de pedras ou pequenos seixos, e não de areia como estamos acostumados em boa parte do Brasil, mas em compensação a água é muito transparente e possui aquela tonalidade azul característica do Adriático.
Uma das mais conhecidas é Banje Beach, que fica praticamente ao lado da Cidade Antiga. Dá para sair das muralhas e, poucos minutos depois, estar dentro do mar. Essa proximidade entre patrimônio histórico e praia é justamente uma das características que tornam Dubrovnik tão interessante: é possível passar a manhã caminhando por construções centenárias e a tarde mergulhando no Adriático.
Qual moeda levar?
A Croácia faz parte da zona do euro desde 2023, portanto a moeda utilizada em Dubrovnik é o euro. Para o brasileiro, isso facilita bastante uma viagem combinada com outros destinos europeus, já que não é necessário trocar dinheiro novamente ao chegar ao país. Cartões são amplamente utilizados em hotéis, restaurantes e estabelecimentos turísticos, embora seja sempre interessante ter algum dinheiro em espécie para pequenas despesas.
Como se locomover?
Uma das melhores características de Dubrovnik é que, escolhendo bem onde ficar, grande parte da viagem pode ser feita a pé. Dentro da Cidade Antiga não circulam carros, então prepare-se para caminhar, e também para enfrentar algumas escadas. Para regiões mais afastadas existem ônibus urbanos, táxis e carros por aplicativo.
O aeroporto de Dubrovnik, oficialmente Aeroporto Ruđer Bošković, fica a aproximadamente 22 quilômetros da cidade. Não existem voos diretos regulares ligando o Brasil a Dubrovnik, portanto quem sai do Brasil normalmente precisa fazer pelo menos uma conexão na Europa. Outra possibilidade é combinar Dubrovnik com outros destinos da Croácia e dos Bálcãs utilizando ônibus, carro ou conexões marítimas. A região possui ligações regulares tanto por ônibus quanto por barco.
Onde ficar?
Depois desses dias aqui, minha recomendação para uma primeira viagem seria procurar hospedagem dentro da Cidade Antiga ou nas proximidades dos portões das muralhas, principalmente se a ideia for conhecer Dubrovnik caminhando. Ficar perto da região histórica permite sair do hotel e já estar no coração da cidade, cercado de restaurantes, comércio e atrações.
Outra região que achei muito interessante é a área próxima à Banje Beach. Ali existem hotéis e apartamentos com uma localização privilegiada, porque você fica perto da praia e, ao mesmo tempo, a poucos minutos caminhando de um dos acessos ao centro histórico. Para quem quer unir praia e turismo sem depender tanto de transporte, é uma localização que eu consideraria.
Uma cidade, três países no roteiro
Outro ponto que torna Dubrovnik especialmente interessante é sua localização geográfica. A cidade está no extremo sul da Croácia e muito próxima das fronteiras de Montenegro e da Bósnia e Herzegovina. Na prática, isso permite montar uma viagem em que Dubrovnik seja a base para conhecer outros dois países.
Um dos bate-voltas mais procurados é para Kotor, em Montenegro, cidade histórica cercada por montanhas e localizada às margens da Baía de Kotor. Dependendo do passeio escolhido, o roteiro ainda pode incluir outras localidades montenegrinas, como Perast ou Budva. A outra possibilidade é seguir para Mostar, na Bósnia e Herzegovina, famosa pela Stari Most, a histórica ponte de pedra sobre o Rio Neretva. São passeios de dia inteiro e é importante lembrar que envolvem cruzamento de fronteiras, portanto o tempo de viagem pode variar de acordo com o trânsito e com o movimento nos controles de imigração.
Essa possibilidade de acordar na Croácia, passar o dia em Montenegro ou na Bósnia e Herzegovina e retornar à noite para Dubrovnik é mais um motivo para reservar alguns dias para a região.
Quantos dias ficar?
Depois de quatro dias por aqui, considero três dias inteiros um bom ponto de partida para quem quer conhecer apenas Dubrovnik com alguma tranquilidade. Mas, se a intenção for aproveitar as praias, conhecer uma ilha e ainda fazer os bate-voltas internacionais, eu reservaria quatro ou cinco dias.
Dubrovnik conseguiu reunir algumas coisas que valorizo muito em uma viagem: uma cidade relativamente compacta, muita história, paisagens naturais impressionantes, praia, facilidade para caminhar e a possibilidade de conhecer outros destinos sem precisar mudar de hotel todos os dias. E setembro, pelo menos pela experiência que tive agora, se mostrou uma excelente época: encontrei calor, mar muito agradável e uma cidade ainda movimentada, mas já fora do auge de julho e agosto.
Depois de quatro dias, saio com a impressão de que Dubrovnik ainda é subestimada por muitos brasileiros. Só que isso parece estar mudando rapidamente. A quantidade de português que ouvi pelas ruas foi uma pequena amostra de que a “Pérola do Adriático” já começou a entrar no radar de quem sai do Brasil em busca de novos destinos na Europa — e, depois de conhecê-la pessoalmente, consigo entender perfeitamente o motivo.
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Source: Turismo
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