FÁBRICAS ESTÃO SE MUDANDO PARA ARGENTINA E PARAGUAI

A chinesa Omoda e a Jaecoo pode abrir fábrica fora do Brasil, já seguindo os passos de empresas que estão saindo daqui. A chinesa Omoda e a Jaecoo podem iniciar a produção de veículos na Argentina antes mesmo de abrir oficialmente uma fábrica no Brasil. Segundo informações divulgadas nesta semana, a operação argentina já possui cronograma mais avançado, enquanto o projeto brasileiro ainda segue em negociação.

Na Argentina, a expectativa é que a inauguração da fábrica aconteça entre o fim de 2026 e o início de 2027. Já no Brasil, a produção local deve começar apenas nos primeiros meses de 2027.

Os rumores indicam que a marca deve assumir a antiga planta da Jaguar Land Rover em Itatiaia. A unidade foi inaugurada em 2016, mas atualmente opera com baixa utilização. A própria direção global da empresa afirmou que as negociações estão avançadas, embora ainda exista cláusula de confidencialidade.

Os primeiros modelos nacionais devem ser os SUVs híbridos Omoda 5 e Jaecoo 5, ambos posicionados para disputar mercado com modelos eletrificados de marcas como BYD e GWM.

Atualmente, a operação brasileira já vende modelos como o Omoda E5 e o Jaecoo 7, lançados oficialmente no país em 2025.

A estratégia da marca faz parte do plano global da Chery para expandir a presença de veículos híbridos e elétricos na América Latina, usando Brasil e Argentina como polos industriais regionais.

A possível decisão da Omoda Jaecoo de produzir carros primeiro na Argentina envolve vários fatores estratégicos, econômicos e industriais. Apesar do Brasil ser o maior mercado automotivo da América do Sul, existem pontos que tornam a Argentina mais atraente em alguns cenários para montadoras chinesas.

Custos industriais menores

A Argentina vive um período de forte desvalorização cambial e redução do custo industrial em dólar. Isso significa que fabricar veículos no país pode sair mais barato para exportação regional.

Entre os principais pontos:

  • Salários industriais mais baixos em dólar
  • Energia e alguns insumos mais baratos
  • Incentivos provinciais e nacionais
  • Menor custo para adaptar fábricas já prontas

A Omoda Jaecoo pode economizar bilhões aproveitando estruturas já existentes.

Fábricas prontas e ociosas

A Argentina possui plantas industriais parcialmente paradas após a saída ou redução de operações de várias montadoras.

Isso permite:

  • Entrar rapidamente em operação
  • Investir menos em construção
  • Produzir veículos em menos tempo
  • Reduzir burocracia ambiental e urbanística

Enquanto isso, no Brasil, abrir uma fábrica nova exige:

  • Licenças ambientais complexas
  • Custos trabalhistas maiores
  • Tributação mais pesada
  • Infraestrutura logística cara

Menos impostos e acordos regionais

A Argentina faz parte do Mercosul, assim como o Brasil. Produzir lá permite exportar carros para o mercado brasileiro sem tarifas de importação elevadas.

Além disso:

  • O governo argentino costuma oferecer benefícios fiscais agressivos
  • Há regimes especiais para exportação automotiva
  • Algumas províncias reduzem impostos locais para atrair indústrias

Na prática, a montadora pode fabricar mais barato e vender no Brasil com alta margem de lucro.

Brasil tem maior carga tributária

O setor automotivo brasileiro é conhecido pelo chamado “Custo Brasil”.

Isso inclui:

  • Impostos elevados
  • Complexidade tributária
  • ICMS diferente em cada estado
  • Alto custo logístico
  • Burocracia regulatória
  • Encargos trabalhistas altos

Muitas montadoras reclamam que produzir no Brasil custa muito mais do que em outros países emergentes.

Estratégia de risco menor

A Omoda Jaecoo ainda está começando operações na América Latina. Produzir primeiro na Argentina pode ser uma forma de:

  • Testar aceitação da marca
  • Reduzir risco financeiro
  • Investir menos inicialmente
  • Ajustar produção conforme vendas

Se o mercado crescer forte no Brasil, aí sim a empresa pode acelerar uma fábrica nacional maior.

Argentina quer virar polo automotivo chinês

Nos últimos anos, a Argentina passou a negociar fortemente com empresas chinesas, principalmente:

  • montadoras elétricas
  • fabricantes de baterias
  • empresas de mineração de lítio

O país possui uma das maiores reservas de lítio do mundo, essencial para carros elétricos e híbridos.

Isso atrai marcas chinesas interessadas em:

  • cadeia de baterias
  • produção regional
  • exportação para América Latina

Mas o Brasil ainda é o mercado mais importante

Mesmo com vantagens argentinas, o Brasil continua sendo prioridade comercial porque:

  • vende muito mais carros
  • possui mercado consumidor gigante
  • tem maior rede de concessionárias
  • oferece maior potencial de lucro

Por isso, a tendência é:

  1. Produção inicial na Argentina
  2. Expansão comercial no Brasil
  3. Futura fábrica brasileira se as vendas crescerem

O que isso pode mudar para o consumidor?

Se a produção argentina realmente acontecer antes:

  • carros podem chegar mais baratos ao Brasil
  • peças podem ter custo menor
  • entregas podem acelerar
  • a marca pode competir mais forte com BYD, GWM e Chery

Mas ainda existe o risco cambial e político argentino, que pode afetar produção e exportações no futuro.