Audi A5 Avant: dirigi a perua de 272 cv que chega ao Brasil

A Audi A5 Avant chega ao mercado brasileiro em uma configuração que parece ter sido pensada para quem ainda prefere dirigir um carro baixo a seguir a tendência dos SUVs. A convite da Audi, pude avaliar a nova perua em um primeiro contato e entender melhor onde está o apelo de um modelo que, olhando apenas para a ficha técnica, pode até parecer conservador diante da atual avalanche de híbridos e elétricos.
Ela chega em versão única S line quattro por R$ 474.990, equipada com o motor 2.0 TFSI de quatro cilindros, 272 cv e 400 Nm de torque, ou 40,8 kgfm, associado ao câmbio automatizado S tronic de dupla embreagem e sete marchas. A tração é integral quattro com tecnologia Ultra.
Não há qualquer tipo de eletrificação nessa configuração. E é justamente aí que começa uma das discussões mais interessantes sobre o carro. Em um mercado no qual potência elétrica e números cada vez maiores viraram argumento de venda, a A5 Avant aposta em uma receita conhecida: motor turbo, tração integral, boa calibração de chassi e carroceria station wagon.
Uma perua de verdade
A A5 Avant mede 4,83 metros de comprimento e 2,89 metros de entre-eixos. A largura incluindo os retrovisores é de aproximadamente 2,10 metros e a altura fica próxima de 1,46 metro. O porta-malas oferece 448 litros, chegando a 1.396 litros com a segunda fileira rebatida.

Esse é um dos pontos que ajudam a explicar por que ainda existe espaço para uma perua. O comprimento e o entre-eixos garantem bom espaço interno, especialmente atrás, sem exigir a posição elevada nem o comportamento de carroceria típico de um SUV.

No banco traseiro, encontrei bom espaço para pernas e cabeça, mesmo com o desenho mais baixo da carroceria. A sensação é de um carro claramente pensado para viajar com quatro adultos sem que os ocupantes traseiros sejam tratados apenas como passageiros ocasionais.
O porta-malas também tem abertura elétrica e acionamento sem as mãos quando a chave está com o usuário.
Visualmente, é justamente a carroceria que dá personalidade ao modelo. A traseira tem lanternas interligadas, desenho tridimensional dos elementos luminosos, spoiler e duas saídas de escape aparentes. Na versão S line, as rodas de liga leve e os detalhes externos deixam o conjunto esportivo sem transformar a A5 em algo exagerado.

O 2.0 TFSI ainda tem muito a dizer
Sob o capô está o conhecido EA888 em sua quinta geração, agora com 272 cv. Segundo a Audi, o conjunto leva a A5 Avant de zero a 100 km/h em 5,9 segundos.

O número é bom, mas não foi exatamente a aceleração que mais me chamou atenção.
A entrega de torque é rápida e muito linear. Há força disponível cedo, sem aquela sensação de espera que motores turbo mais antigos podiam transmitir. Durante o teste, também ficou evidente como o conjunto conversa bem com o S tronic de sete marchas.
No modo mais tranquilo, o carro não fica procurando esportividade o tempo inteiro. Ele roda de maneira bastante civilizada, troca marchas suavemente e não exige esforço do motorista.
Quando selecionei o Dynamic pelo Audi drive select, a mudança foi evidente. As respostas ficaram mais rápidas, o câmbio passou a segurar as marchas por mais tempo e o carro ganhou outra disposição.
É aí que a ausência de eletrificação deixa de parecer simplesmente uma deficiência técnica. Para quem procura respostas mais tradicionais de motor e câmbio, a A5 Avant entrega uma experiência muito direta.
O que a ficha técnica não mostra
Hoje é fácil encontrar carros eletrificados com mais de 300, 400 ou até 500 cv custando menos que os R$ 474.990 pedidos pela Audi.
Só que potência não explica tudo.
O que mais gostei na A5 Avant foi a maneira como ela se comporta quando você começa a exigir um pouco mais. Direção, suspensão, freios e tração trabalham com uma naturalidade que não aparece em uma tabela de especificações.
Em mudanças rápidas de direção, o carro permanece muito assentado. A carroceria acompanha os comandos sem aquele movimento lateral mais perceptível de um veículo alto. A tração quattro também transmite muita segurança para acelerar cedo na saída das curvas.
É uma diferença de calibração.
Não significa que todo SUV seja ruim ou que um modelo chinês com mais potência seja necessariamente inferior. A questão é que, neste Audi, há uma coerência entre motor, câmbio, direção, suspensão, freios e posição de dirigir que fica muito evidente ao volante.
Foi justamente durante o teste que entendi melhor o preço do carro. Não porque R$ 474.990 seja pouco dinheiro (está muito longe disso), mas porque boa parte do valor não aparece no número de cavalos nem na quantidade de equipamentos.
Três telas, mas sem esquecer o motorista
O interior segue a nova arquitetura digital da Audi.
Na minha frente estava o Audi Virtual Cockpit de 11,9 polegadas, integrado à central OLED de 14,5 polegadas em uma superfície curva voltada para o motorista. Há ainda uma terceira tela de 10,9 polegadas para o passageiro dianteiro.

Essa tela adicional tem uma solução interessante: quem está dirigindo praticamente não consegue enxergar o conteúdo exibido nela. O passageiro pode acessar navegação, entretenimento e outras funções sem criar uma distração constante para o motorista.

O carro também oferece head-up display colorido, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador por indução, câmera 360 graus e controle de cruzeiro adaptativo.

Na estrada, gostei especialmente do head-up display. As informações ficam bem posicionadas e são fáceis de acompanhar sem desviar os olhos do caminho.
O teto panorâmico também merece destaque. Em vez de uma persiana convencional, utiliza vidro com transparência ajustável por segmentos, permitindo controlar a entrada de luz eletronicamente. A própria Audi descreve seis configurações possíveis para o sistema.
Testei o recurso com o carro exposto ao sol e a cabine permaneceu confortável, sem aquela sensação de calor excessivo que alguns tetos panorâmicos podem provocar.
Uma alternativa aos SUVs, e não uma tentativa de imitá-los
Talvez o maior mérito da A5 Avant seja não tentar justificar sua existência copiando atributos de um SUV.
Ela oferece espaço, porta-malas grande e conforto para quem viaja atrás, mas preserva uma posição de condução baixa e um comportamento muito mais próximo de um sedã.
Para mim, essa combinação continua fazendo muito sentido. Há o espaço de um carro familiar, a facilidade de condução de um automóvel convencional e uma dinâmica que dificilmente seria reproduzida da mesma forma em uma carroceria mais alta.
A Audi inclusive teve todas as unidades inicialmente oferecidas na pré-venda esgotadas, e o modelo segue disponível por encomenda na rede brasileira.
Por R$ 474.990, certamente haverá quem compare a A5 Avant com híbridos e elétricos mais potentes e conclua que os números não fecham.
Eu faria outra comparação.
Antes de decidir apenas pela ficha técnica, dirigiria o carro. Foi justamente ao volante que a A5 Avant fez mais sentido para mim. Ela não tenta ganhar a discussão na quantidade de cavalos ou na tecnologia do sistema de propulsão. O argumento está na maneira como acelera, freia, muda de direção e permanece plantada no chão.
E, em um mercado praticamente tomado pelos SUVs, ainda há algo de especialmente interessante em poder dizer novamente: temos uma boa perua à venda no Brasil.
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Source: Carros
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