Fábrica da Audi em Neckarsulm seria uma das afetadas
Redação DW

Fábrica da Audi em Neckarsulm seria uma das afetadas

A diretoria da Volkswagen aprovou por unanimidade o encerramento da produção em quatro de suas fábricas na Alemanha, informou a revista alemã Wirtschaftswoche nesta quarta-feira (02/09), citando um documento interno da empresa.

Segundo a revista, as fábricas em Emden e Zwickau encerrariam a produção em 2031; em 2032, seria a vez de Hannover; por fim, em 2034, Neckarsulm, que produz para a Audi, fecharia suas portas.

Esse destino só seria eventualmente reavaliado caso as fábricas conseguissem reduzir seus custos de produção a um nível competitivo até o fim de junho de 2027. Combinadas, as quatro fábricas empregam cerca de 44 mil pessoas diretamente.

As medidas seriam necessárias para garantir “a competitividade e rentabilidade do grupo Volkswagen no longo prazo”.

A decisão seria comunicada em uma reunião ainda nesta sexta-feira com o conselho de supervisão, onde empregados e políticos têm assento e tendem a resistir à medida.

Ainda assim, a reportagem afirma que o conselho de supervisão não poderia fazer nada a respeito do fechamento gradual das fábricas, citando fontes de alto escalão.

A Volkswagen não quis se pronunciar sobre o assunto.

Sindicalistas dizem que vão resistir

Sindicalistas rejeitaram a ideia de que o destino das fábricas já esteja selado.

“Em decisões de tamanha importância, não há como contornar os órgãos competentes, ou seja, o conselho de supervisão da Volkswagen”, afirmou o diretor regional da IG Metall na Baixa Saxônia, Thorsten Gröger.

Ele acusou a diretoria de gerar insegurança por meio da divulgação de informações à imprensa. “O que está sendo vazado da empresa transmite cada vez mais a imagem de um confronto deliberadamente provocado. Se a diretoria está procurando esse conflito, ela o terá”, declarou Gröger.

Os planos para o futuro da VW, que incluem cortes de gastos, serão tema central da reunião do conselho de supervisão da empresa nesta sexta.

Segundo informações de bastidores, há três propostas: uma da diretoria, outra dos representantes dos trabalhadores e uma terceira do estado da Baixa Saxônia, que detém 20% da montadora.

Ainda não está claro se as partes conseguirão chegar a uma posição comum ou se a disputa sobre os rumos da empresa irá se agravar.

Um porta-voz do governo da Saxônia assegurou que o estado “lutará por cada fábrica”.

VW em crise

A Volkswagen, assim como outras montadoras alemãs, atravessa uma profunda crise. A direção da empresa vem afirmando há algum tempo que o corte proposto de 50 mil postos de trabalho até 2030 não é suficiente, e quer ampliar esse número para 100 mil.

“A situação é mais do que crítica”, afirmou o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, durante a abertura de uma série de assembleias extraordinárias de trabalhadores em diferentes unidades da Volkswagen.

Segundo ele, a empresa continua lucrativa, mas não gera recursos suficientes para financiar seu futuro.

Na ocasião, Blume classificou o fechamento de fábricas como uma última opção que gostaria de evitar.

No entanto, ele disse que para Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm ainda não há uma “ocupação competitiva” para a década de 2030.

“Nosso objetivo é criar perspectivas sólidas para todas as unidades nos próximos seis a doze meses”, afirmou o executivo.

Entre as alternativas em discussão estão o uso temporário de fábricas para a produção militar e a fabricação na Alemanha de modelos da Volkswagen desenvolvidos na China.

ra (dpa, AFP)

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    Tags: Economia
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