Vitão e Basa: diálogo entre pai e filho sobre a camisa do Neymar

Partindo da premissa, nem sempre verdadeira, eu sei, que estamos conversando entre pessoas normais e, pois, seres humanos que consideram SEEEEMPRE errado e desprezível ameaçar e intimidar pessoas, inclusive e principalmente crianças, reproduzo o diálogo que tive na última segunda-feira (31 de agosto) com o meu filho Basílio (17 anos).

Basílio Ruiz Guedes assina com o Rio Branco em 2026
Aqui faço um parêntese explicativo: meu filho não mora comigo, na ZL, nem com a mãe. É mais um entre milhões de meninos que sonham jogar profissionalmente futebol e, por isso, faz parte do elenco sub 20 do Rio Branco e está morando em outra cidade, terminando o ensino médio e alojado embaixo da arquibancada em Americana, tentando viabilizar o seu sonho. Por isso, quando nos vemos, o que acontece, na média, uma vez por semana, tentamos colocar a conversa em dia.
Entre outros assuntos e atualizações da sua agitada vida amorosa, o meu papo desta segunda com o Basa foi sobre o episódio ocorrido no último domingo (30 de agosto) na Neo Química Arena, logo após a derrota do Corinthians, quando Neymar presentou uma criança com a sua camisa do Santos, fato que gerou xingamentos de parte da torcida em direção ao menino e à sua família.

Vitor Guedes e Basílio Guedes, no Décio Vitta
O diálogo entre pai e filho que segue não foi gravado, está sendo transcrito de memória e, pois, não é 100% ipsis litteris, mas tem a pretensão de ser o mais fiel possível às palavras usadas. Conversa que foi um bate-papo, repito, não entre jornalista e atleta sub 20, mas entre pai e filho, diálogo que não tinha a intenção prévia de virar uma futura coluna e, pois, transcorreu sem censura nem palavras evitadas.
Vitão e Basa
_Pai, você viu o lance da camisa do Neymar na Arena?
_Não, animal, estava em Marte… Claro que vi.
_Então, o que você achou?
_Qual a chance, Basa, de você ir no estádio e pedir a camisa de um rival ou de qualquer adversário?
_Nenhuma, pai.
_Então… Qual a chance de você, com tudo que eu te ensinei na vida, para além do futebol, pedir uma camisa do Neymar? Sério, qual a chance?
_Nenhuma, pai.
_Então, você, animal, usaria verde no estádio do Corinthians? Ou melhor, você usaria verde na vida? Usaria verde pra ir na padaria, na feira ou na pqp?
_Claro que não, pai. Quer dizer, verde só com rosa da Mangueira.
_Ok. Eu te eduquei direito. Dito isso, você já viu seu pai pedindo camisa ou gritando ou aplaudindo jogador de time adversário?
_Nunca. Imagine você… Sem chance!
_Basa, você já viu seu pai usar qualquer camisa verde que não seja da Mangueira?
_De jeito nenhum. Até na TV, você tinha uma plaquinha lá no cabide das roupas que não usa camisa verde.
_Então, filho. O pai não usa verde, o pai não aplaude adversário no estádio… Mas você já viu seu pai xingar ou intimidar ou ameaçar algum amigo seu porque tava com a camisa do Palmeiras? Do São Paulo? Do Santos? Nos seus aniversários, não vinha cada amiguinho da escola com a camisa dos times deles?
_Sim. A maioria era Corinthians, né, mas tinha palmeirense, são-paulino… Tinha até um santista na classe, o Léo, lembra, pai?
_Você já viu seu pai escolher amigo pelo time ou xingar ou ameaçar alguém por usar a camisa do Neymar?
_Nunca, pai.
_O pai não toma detergente e toma vacina, mas você já viu seu pai xingar o vizinho ‘inteligente’ que usa uniforme da CBF para protestar contra a corrupção?
_Não.
_Sobre o Neymar, filho, para que time torce o seu padrinho?
_O padrinho é Santos por causa do Pelé.
_Você, animal, é filho único. Não tem nada mais importante do que você até porque você não teve irmãos… E dei você para um santista batizar. E sua madrinha não tem time nem sabe o que é uma bola.
_Ah, mas isso não tem nada a ver…
_Claro que tem, animal. Se o time fosse mais importante que a pessoa, seu padrinho torceria pro nosso time. E o que tem a ver, além de ser imbecil, ameaçar uma criança por fazer algo que você jamais faria até porque seu pai jamais levaria um cartaz desse?
_É, pai, nunca ia pedir camisa pra jogador de outro time, mas achei ridículo o que fizeram com o menino por causa da camisa do Neyumar.
_Ainda bem que achou. Fico feliz que não eduquei um imbecil. Para finalizar, filho, você lembra a primeira vez que você foi no estádio? Tem até a foto de você no meu ombro na orelha do meu livro, filho, do Paixão Corinthiana…
_Não lembro do dia, mas lembro de vocês contarem, foi Corinthians 2×1 Athletico-PR, no Brasileirão de 2011, tinha quase três anos…
_Quem comprou o ingresso seu e foi com a gente, foi seu padrinho. Santista. E ele ficou feliz que o Corinthians venceu porque foi um presente para você e queria te ver feliz. E ele odeia o Corinthians. muito mais que gosta do Santos.
Vitor Guedes e o recém-nascido Basílio Ruiz Guedes

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Vitão Raiz
Eu sou o Vitor Guedes e tenho um nome a zelar. E zelar, claro, vem de ZL! É tudo nosso! É nóis aqui no iG com a coluna Vitão Raiz!
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